Existem poucas mulheres nesse mundo que eu beijaria na boca. Esta é uma delas:
Indicações de Flor Juliete para meus dias pra lá de exaustivos, onde se perde tudo, até a esperança.
23.11.09
Aleiatoriedades e prostituição.
Três coisas:
- Fiquei feliz de ver hoje no ônibus uma mocinha passando creme no braço e direcionando todos os pelinhos em uma direção, de acordo com a parte do braço. E agora explico: é que fiquei contente de não ser a única a fazer isso
- Por que diabos a assinatura dos e-mails do Google fica láaa embaixo de todos os emails?? Aí a gente tem que ficar recortando, subindo e colando embaixo da nova mensagem. Que coisa!!
- A terceira eu esqueci, mas volto pra contar depois! - caso eu lembre, ok?
Prostitutas protestam na cidade italiana de Pádua contra lei que estabelece multa para os clientes da prostituição de rua; a transexual brasileira Kristal, que mora há dez anos na Itália, lidera o protesto.
Tirei essa foto lá do Uol Imagens, é antiga (de dois anos atrás), e o caso é mais antigo ainda. Mais um protesto justo, contra a hipocrisia de países que se julgam muito evoluídos.
Penso que quando mais reprimidas as coisas que a sociedade encara como erradas, mais vazão damos à ilegalidade e seu rastro de crime, tráfico, falta de informação, preconceito e morte, que talvez se amenizasse se supríssemos pelo menos a necessidade de um apoio que nunca vem do governo -e convenhamos, de lugar nenhum.
Tantas formas de prostituição são permitidas (e incentivadas) hoje em dia... Mas quando o assunto é sexo, ainda somos os católicos inquisidores que o apontam como uma coisa ruim, pecaminosa e proibida.
Há tantas coisas a se tratar neste mundo... Mas na minha lista de prioridades, ainda reina a necessidade de combater a famigerada e silenciosa IGNORÂNCIA.
Beijos e boa segunda a todos!
16.11.09
Besouro, o filme
Hoje vim indicar o melhor filme de 2009 na minha opinião. Besouro é um filme que fala sobre muitas coisas bonitas, sofridas, felizes e interessantes.
Chorei no começo e no fim. Enchi os olhos com o cenário e as lindas imagens dos Orixás que aparecem durante o filme, carregadas de estudo e significados.
Não sou nenhuma nacionalista radical, mas devo confessar que gosto muito do meu país, e fico feliz quando ele mesmo se valoriza, criando coisas de fato, brasileiras.
Vejam uma resenha e dois cartazes:
"O besouro é um inseto que, por suas características, não deveria voar, mas voa.
O filme Besouro, que conta a sua história, é um épico em que fantasia e registro histórico se misturam no cenário deslumbrante do Recôncavo Baiano dos anos 20.
Inspirado em fatos reais, Besouro será um filme de aventura, paixão, misticismo e coragem sobre este personagem real que se tornou lenda. Queremos que ele seja, para a capoeira, o que filmes chineses contemporâneos como Herói e O Tigre e o Dragão são para as artes marciais orientais: um espetáculo de aventura, onde a paixão, o misticismo e a emoção têm papel central.
Depois de ler o livro “Feijoada no Paraíso - a saga de Besouro, o capoeira”, de Marco Carvalho, comecei a sonhar e viajar nas asas do personagem e de suas maravilhosas lendas e histórias. Fiquei fascinado pelo super-herói brasileiro, um capoeirista que dança entre a fantasia e a realidade, na eterna luta a favor dos necessitados, em nome do amor.
O filme Besouro é fruto dessa fascinação."
João Daniel Tikhomiroff - Diretor.
Chorei no começo e no fim. Enchi os olhos com o cenário e as lindas imagens dos Orixás que aparecem durante o filme, carregadas de estudo e significados.
Não sou nenhuma nacionalista radical, mas devo confessar que gosto muito do meu país, e fico feliz quando ele mesmo se valoriza, criando coisas de fato, brasileiras.
Vejam uma resenha e dois cartazes:
"O besouro é um inseto que, por suas características, não deveria voar, mas voa.
E Besouro também é o nome do maior capoeirista de todos os tempos. Um menino que, ao se identificar com o inseto que desafia as leis da Física, desafia ele mesmo as leis cruéis do preconceito e da opressão. Um mito, um super-herói.
O filme Besouro, que conta a sua história, é um épico em que fantasia e registro histórico se misturam no cenário deslumbrante do Recôncavo Baiano dos anos 20.
Inspirado em fatos reais, Besouro será um filme de aventura, paixão, misticismo e coragem sobre este personagem real que se tornou lenda. Queremos que ele seja, para a capoeira, o que filmes chineses contemporâneos como Herói e O Tigre e o Dragão são para as artes marciais orientais: um espetáculo de aventura, onde a paixão, o misticismo e a emoção têm papel central.
Depois de ler o livro “Feijoada no Paraíso - a saga de Besouro, o capoeira”, de Marco Carvalho, comecei a sonhar e viajar nas asas do personagem e de suas maravilhosas lendas e histórias. Fiquei fascinado pelo super-herói brasileiro, um capoeirista que dança entre a fantasia e a realidade, na eterna luta a favor dos necessitados, em nome do amor.
O filme Besouro é fruto dessa fascinação."
João Daniel Tikhomiroff - Diretor.
Depois me contem o que acharam.
Beijoca!
Feliz e gulosa
Vejam só quem re-apareceu no pedaço pra me deixar feliz e cada vez mais gorda*!
* Gorda sim. E não me venha com aquela de "é assado". Hunf.
* Gorda sim. E não me venha com aquela de "é assado". Hunf.
10.11.09
Sobre nós mesmos
Me lembro de algumas coisas, da infância.
Eu sempre quis ser loira e/ou do cabelo cacheado, que nem a Xuxa, a Angélica ou a Barbie. Mas sou morena.
Sempre quis ser magrinha, leve e ágil, mas sou gorda e atrapalhada.
Sempre quis ser "cool" mas sou careta.
Durante anos quis ficar com um cara e saía com outros.
Sempre quis gostar da música da moda, mas preferia minhas fitas gravadas de coisas (realmente) aleatórias e ecléticas. As músicas de que gosto, em geral não são dançantes. As que são altamente dançantes não são nem ocidentais. Total peixe fora d'água.
Eu via tanta coisa na televisão, na Capricho, nas minhas amigas e nada, absolutamente nada daquilo falava meu idioma, nada disso era minha realidade, e nada disso me fazia realmente feliz.
Até que assumi a cor do meu cabelo, estou tentando (e essa é complicada) não me importar mais com o peso, levantei a bandeira da caretice, comprei um fone de ouvido pra ouvir sozinha minhas misturebas musicais e casei com o cara que tanto esperei.
Hoje estou feliz.
As pessoas tem medo de ser felizes, eu acho. Ou de dizer que estão felizes, de assumir a felicidade. Vai que acaba, vai que atrai olho gordo, vai que alguém atrapalha. Vai que depois de conseguir as coisas, se perde o rumo. E o recomeço? E os novos horizontes? E o direito de mudar e ser quem quisermos?
Mas eu não vim falar de felicidade. Vim falar do medo que eu tenho. Medo de que haja tantas meninas que querem o que não podem, alimentam o que não precisam, se frustram por futilidades e sofrem, sofrem a ponto de nem ver passar os melhores anos de sua vida.
Quando eu tiver uma filha, quero que ela seja criança, que brinque na terra, que goste de doce, que dê gargalhadas, que me abrace quando tenha medo, que não tenha vergonha de brincar, de ter bonecas. Quero que se vista como criança, que assista menos tv, que leia sobre tudo, coisas importantes e coisas bobas. Que faça bolhas de sabão e que suje a roupa na escola, que corra pra abraçar o papai, que chore a pulmões abertos e que coçe o olho quando tiver sono.
Tenho medo dessas crianças que querem ser tudo, menos crianças. Elas crescem e viram adultos azedos e vazios. Eu tenho medo de ter uma recaída e me esvaziar de novo. Não quero me esquecer como é bom pisar descalça no chão, e imaginar desenhos em nuvens. Não quero viver para saldar números, não quero ser apenas um dado ínfimo de uma estatística.
E tenho que medo que esse medo de tudo, me consuma.
Eu sempre quis ser loira e/ou do cabelo cacheado, que nem a Xuxa, a Angélica ou a Barbie. Mas sou morena.
Sempre quis ser magrinha, leve e ágil, mas sou gorda e atrapalhada.
Sempre quis ser "cool" mas sou careta.
Durante anos quis ficar com um cara e saía com outros.
Sempre quis gostar da música da moda, mas preferia minhas fitas gravadas de coisas (realmente) aleatórias e ecléticas. As músicas de que gosto, em geral não são dançantes. As que são altamente dançantes não são nem ocidentais. Total peixe fora d'água.
Eu via tanta coisa na televisão, na Capricho, nas minhas amigas e nada, absolutamente nada daquilo falava meu idioma, nada disso era minha realidade, e nada disso me fazia realmente feliz.
Até que assumi a cor do meu cabelo, estou tentando (e essa é complicada) não me importar mais com o peso, levantei a bandeira da caretice, comprei um fone de ouvido pra ouvir sozinha minhas misturebas musicais e casei com o cara que tanto esperei.
Hoje estou feliz.
As pessoas tem medo de ser felizes, eu acho. Ou de dizer que estão felizes, de assumir a felicidade. Vai que acaba, vai que atrai olho gordo, vai que alguém atrapalha. Vai que depois de conseguir as coisas, se perde o rumo. E o recomeço? E os novos horizontes? E o direito de mudar e ser quem quisermos?
Mas eu não vim falar de felicidade. Vim falar do medo que eu tenho. Medo de que haja tantas meninas que querem o que não podem, alimentam o que não precisam, se frustram por futilidades e sofrem, sofrem a ponto de nem ver passar os melhores anos de sua vida.
Quando eu tiver uma filha, quero que ela seja criança, que brinque na terra, que goste de doce, que dê gargalhadas, que me abrace quando tenha medo, que não tenha vergonha de brincar, de ter bonecas. Quero que se vista como criança, que assista menos tv, que leia sobre tudo, coisas importantes e coisas bobas. Que faça bolhas de sabão e que suje a roupa na escola, que corra pra abraçar o papai, que chore a pulmões abertos e que coçe o olho quando tiver sono.
Tenho medo dessas crianças que querem ser tudo, menos crianças. Elas crescem e viram adultos azedos e vazios. Eu tenho medo de ter uma recaída e me esvaziar de novo. Não quero me esquecer como é bom pisar descalça no chão, e imaginar desenhos em nuvens. Não quero viver para saldar números, não quero ser apenas um dado ínfimo de uma estatística.
E tenho que medo que esse medo de tudo, me consuma.
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