10.11.09

Sobre nós mesmos

Me lembro de algumas coisas, da infância.
Eu sempre quis ser loira e/ou do cabelo cacheado, que nem a Xuxa, a Angélica ou a Barbie. Mas sou morena.
Sempre quis ser magrinha, leve e ágil, mas sou gorda e atrapalhada.

Sempre quis ser "cool" mas sou careta.
Durante anos quis ficar com um cara e saía com outros.
Sempre quis gostar da música da moda, mas preferia minhas fitas gravadas de coisas (realmente) aleatórias e ecléticas. As músicas de que gosto, em geral não são dançantes. As que são altamente dançantes não são nem ocidentais. Total peixe fora d'água.

Eu via tanta coisa na televisão, na Capricho, nas minhas amigas e nada, absolutamente nada daquilo falava meu idioma, nada disso era minha realidade, e nada disso me fazia realmente feliz.

Até que assumi a cor do meu cabelo, estou tentando (e essa é complicada) não me importar mais com o peso, levantei a bandeira da caretice, comprei um fone de ouvido pra ouvir sozinha minhas misturebas musicais e casei com o cara que tanto esperei.
Hoje estou feliz.
As pessoas tem medo de ser felizes, eu acho. Ou de dizer que estão felizes, de assumir a felicidade. Vai que acaba, vai que atrai olho gordo, vai que alguém atrapalha. Vai que depois de conseguir as coisas, se perde o rumo. E o recomeço? E os novos horizontes? E o direito de mudar e ser quem quisermos?

Mas eu não vim falar de felicidade. Vim falar do medo que eu tenho. Medo de que haja tantas meninas que querem o que não podem, alimentam o que não precisam, se frustram por futilidades e sofrem, sofrem a ponto de nem ver passar os melhores anos de sua vida.

Quando eu tiver uma filha, quero que ela seja criança, que brinque na terra, que goste de doce, que dê gargalhadas, que me abrace quando tenha medo, que não tenha vergonha de brincar, de ter bonecas. Quero que se vista como criança, que assista menos tv, que leia sobre tudo, coisas importantes e coisas bobas. Que faça bolhas de sabão e que suje a roupa na escola, que corra pra abraçar o papai, que chore a pulmões abertos e que coçe o olho quando tiver sono.

Tenho medo dessas crianças que querem ser tudo, menos crianças. Elas crescem e viram adultos azedos e vazios. Eu tenho medo de ter uma recaída e me esvaziar de novo. Não quero me esquecer como é bom pisar descalça no chão, e imaginar desenhos em nuvens. Não quero viver para saldar números, não quero ser apenas um dado ínfimo de uma estatística.

E tenho que medo que esse medo de tudo, me consuma.

Sabedoria Frediana

Não gente, eu não errei o nome do psicólogo não. Eu tô mesmo é falando do Fred, um grande amigo, agora promovido a padrinho de casamento.

Ele diz que eu me preocupo demais em não ser indelicada com as pessoas. Até com quem não se preocupa em ser delicado comigo. Ele tem toda a razão.

Eu preciso é acreditar menos, esperar menos. E soltar uns "dane-se" (ou qualquer expressão do gênero).

Sobre o casamento... Dormi antes que pudesse conversar qualquer outra coisa com Sr. R. Mas chegamos a um consenso sobre o número de filhos. Queremos três! Ainda que com esse ritmo de vida, dificilmente farei um filho tão cedo.. rs.

E assim caminha a humanidade. Mais tarde escrevo coisas mais animadas, prometo!

Beijos ^^

9.11.09

Fora do convencional (novidades do casório)

Sabe o que é?

Você anuncia que vai casar. E aí, todo mundo espera que você faça aquela festa tradicionalíssima, use um vestido caríssimo, um sapato apertadíssimo, case numa igreja (católica) badaladíssima, sirva coisas finíssimas e que no dia esteja parecendo uma deusa maravilhosíssima.

E aí que eu não sou tradicional coisíssima* nenhuma, não tenho vestidos caríssimos, mal uso salto alto, não sou católica, como um monte de coisas diferentes, caras ou não e nem de looonge pareço uma deusa.

Quero que no dia do meu casamento as pessoas me vejam como sou, e percebam que estou feliz. Só isso.
Não tenho intenção nenhuma de querer criar uma realidade que não é a minha, servir coisas que não como e não bebo, somente para agradar os outros. Poxa, o casamento não é nosso?

Cada convidado foi pensado com carinho, e eles no mínimo, sabem que eu e Sr. R. somos um bocado diferentes. E de tradicional não temos sequer um fio de cabelo. Eu sou careta, isso sim. Pero no mucho. Por exemplo: ainda defendo a monogamia, não misturo arroz / feijão com macarrão, escovo os dentes ao acordar, após as refeições e antes de dormir e acredito em casamento. Mas quanto a tantas questões que tanta gente condena por ai, tenho minhas ressalvas. Não é rebeldia, não é sentimento anarquista. São opiniões. Assim como você tem as suas, e eu as respeito.

Minha tia está arrasada porque eu não vou dar churrasco na festa e porque quero servir vinho em vez de chopp e cerveja. E também porque quero servir Tubaína. Gente, vocês já viram aquela garrafinha de vidro estilosa da Tubaína em versão retrô? É o mesmo rótulo que eles tinham na década de 50. É linda de morrer. Olha ela aí:



Bom, todo mundo achou um absurdo a simplicidade do meu vestido e o fato de eu não ter nem pensado em Dia da Noiva. E que Sr. R., vai de calça de tecido e camisa? E o terno?

Outra coisa. Ninguém entende porque é que eu estou juntando caixotes de madeira, metros de juta e cestas de vime para decorar a festa.
Ninguém consegue visualizar como as coisas simples ficam bonitas???? Olha só:



Mas não. Eles querem aquela coisa cheia de tule, cetim e glamour. Ok, imaginem esta criatura que vos escreve, famosa por sua extrema delicadeza e destreza, numa festa onde tudo é pequenininho, glamouroso, fino, altamente quebrável e inflamável. Visualizou, né?

Mas comida, decoração, noivo e vestuário à parte, deixem falar sobre uma coisa da qual tenho H-O-R-R-O-R.
Daqueles ensaios fotográficos com: a noiva sorrindo, pendurada do noivo. A noiva puxando o noivo pela gravata. O noivo atrás da noiva com cara de quem acabou de doar sangue. Os dois sorrindo e fazendo um coração com as mãos. Ela levantando o buquê com expressão de "Venci!!!!" Ele abraçado na cintura dela, olhando pra cima. ARGHHHH!!!!

Eu ficava só pensando no momento em que eu, nervosíssima, querendo recepcionar os convidados, curtindo meu casório que acabou de acontecer e o fotógrafo me fazendo posar com os padrinhos, com a vizinha, com os bichinhos de estimação, na árvore da calçada em frente ao salão, na praça pagando o maior mico... Ai gente. Não. Não. Definitivamente, não.

Por isso é que eu contratei minha querida amiga Fernanda Grigolin para clicar meu casamento. Ela é outra que de tradicional e cinza não tem nada, graças a Deus - pois de gente chata o mundo está cheio-. (Não condeno os tradicionalistas. Mas eles me condenam!)

Sempre gostei das fotos da Fê. Não é só emoldurar um momento. É olhar a foto e lembrar o que sentiu na hora. De alguma forma, a Fê consegue captar isso e colocar na foto. Ela já tirou algumas das fotos de dança mais lindas que eu tenho. Tinha de ser ela! Sr. R. concordou comigo porque também conhece e admira o trabalho dela. E ei-la aqui! Linkei o portfólio dela onde podemos ver uma pequeníssima parte do infinito particular que é esta moça atrás de uma câmera. Confiram:


Sexta fomos ao terreiro pra que ela fosse se preparando em questões de luz, espaço, detalhes e zás, e zás!

E é isso por hora.

Agora preciso pensar no Chá de Lingerie. Tenho vergonha de fazer a lista! (lembram do "careta" que comentei??) Queria que o pessoal não se preocupasse taaaanto com a lingerie... rs.

Ahn, falando nisso. Estou falando da despedida de solteiro de Sr. R há tempos e ele diz que não quer fazer nada. Sei. Ele que não me venha em finais de dezembro pedindo pra que eu organize algo porque eu não vou MESMO!

Ahhh!! Deixa eu contar!! O jogo de búzios na sexta feira apontou nossos Orixás de frente, então estão definidas as cores e elementos predominantes da cerimônia e da festa. Pra mim: Iansã de frente e Xangó adjunto e pra ele: Oxóssi de frente e Yemanjá adjunto. Bênçãos especiais de Oxum e Oxalá para nossa união. Lá vamos nós arrebentar com muito vermelho, verde, marrom, azul turquesa, branco e dourado. Ficamos felizes pois já tínhamos palpites a respeito, e os búzios só confirmaram o que nós já tinhamos intuído. E como boa filha de Iansã, Sr. R. que se cuide com meu temperamentozinho fácil que só ^^ Falo mais sobre ela em próximos posts, prometo.


Linda imagem de Iansã! Peguei neste site.

E falando nisso, uma de minhas madrinhas já fechou com o decorador do terreiro, ela me deu de presente. O terreiro vai ficar lindo e eu, feliz!!

E falando em avanços, já contei pra vocês que a confecção de convites está em nível zero? Eu corto, corto, corto, mas aquilo não acaba mais. E depois que isso acabar (pois um dia -de novembro- há de acabar) começo as lembrancinhas. E ai eu enlouqueço de vez, porque também queria dar uma bordadinha no meu vestido. E que Deus nos acuda!!!

Não perca nossos próximos capítulos! Você vai se divertir à beça. Porque eu, normal, já sou histérica, crica, neurótica e ansiosa. Imagine casando. Pobre Sr. R!

Beijocas ♥

(*substitua "coisíssima" por uma palavra feia à sua escolha).

Atenção mulheres!

Como boa compradora-de-coisas-inúteis-em-catálogos que sou, vim indicar a promoção de vestidinhos lá no site da Posthaus. Tem uns bem bonitinhos!! Sr. R, segura o cartão de crédito que eu tô chegando!!!!

Supermercados

Não que eu não goste de fazer compras, pelo contrário. Tenho desejos quase que patológicos de percorrer cada um daqueles corredores abarrotados de coisas, e deixar que os rótulos e promoções e preços e amostras grátis me conquistem com suas armas cada vez mais inovadoras....
Mas ontem, o mercado me cansou demais.

Chegamos lá por volta das cinco da tarde. Sai às NOVE DA NOITE, e o Sr. R ainda teve que voltar lá pra comprar coisinhas que "faltaram".

Chegou em casa bufando (coitado do moço do taxi, acho que ele estava um pouco assustado) e em menos de quinze segundos vomitou uma lista de desgraças acontecidas nessa volta ao supermercado sem mim:
o conjunto de louça era mais caro (vou processar aquele mercado!), o carrinho reservado tinha sumido, ele teria que refazer a compra, o taxímetro estava avançando estranhamente rápido, a chuva que não parava etc, etc, etc.

Até guardar as coisas, limpar a casa, descongelar a geladeira, arrumar as compras, fomos dormir às 4h da manhã.
Quem sobrevive desse jeito?

Agora fico um mês inteiro juntando forças pra ir lá em dezembro fazer a próxima compra (situação caótica + mês caótico = força extra), pegar dois carrinhos vazios, passear pelas prateleiras e lotá-los de coisas... E parar pra um chá, um sanduíche, pra conversar...

Pra quem pensa que a vida não é uma aventura, que vá ao supermercado comigo. Tudo tem mais emoção! (e estresse).

Exercitando TOCs